São Borja
Sábado 16 de Dezembro de 2017


A cada cinco pessoas que vão aos hemocentros, uma não pode doar sangue no Brasil, aponta levantamento

Uma cada cinco pessoas que vão aos hemocentros da rede pública é considerada inapta a doar sangue no Brasil. É o que mostra um levantamento feito pelo G1 nos 32 hemocentros coordenadores, espalhados pelas 27 unidades federativas.

De janeiro a agosto deste ano, 2.036.138 compareceram para doar sangue em um dos mais de 200 pontos de coleta da rede pública. Desse total, 21,7% dos candidatos (440.968) foram considerados inaptos para a doação.

Esses candidatos foram reprovados nas etapas que antecedem a coleta de sangue: a pré-triagem e a triagem. Primeiro, a pessoa precisa passar pela fase em que são checados a pressão arterial, a temperatura e se o doador voluntário tem anemia e peso mínimo de 50 quilos.

Depois, na triagem, um médico faz perguntas ao candidato a doador de sangue. O conteúdo varia de comportamento sexual a uso de medicamentos e viagens recentes. O candidato não pode ainda ter dormido poucas horas na noite anterior nem ter tido perda de peso nos últimos meses, por exemplo. Neste sábado (25), é comemorado o Dia do Doador Voluntário de Sangue.

O levantamento coletou dados de todos os hemocentros coordenadores, que respondem pela rede pública do País. Apenas o Hemoto (Hemocentro Coordenador de Palmas) não tem os números completos e, por isso, a taxa de inaptidão no estado não pôde ser verificada. Não estão incluídos na conta os dados da rede particular.

Alagoas é o Estado com mais candidatos considerados inaptos para a doação de sangue. De janeiro a agosto de 2017, foram 16.574 comparecimentos e 10.725 bolsas de sangue coletadas. Uma a cada três pessoas não conseguiu doar sangue.

Por outro lado, o Mato Grosso do Sul apresenta a menor taxa de candidatos considerados inaptos para a doação. Apenas 15% das pessoas que foram aos hemocentros não conseguiram fazer o procedimento.

 

Recomendação da OMS

O Brasil ainda não tem doadores de sangue suficientes para cumprir a recomendação da OMS (Organização Mundial de Saúde). A entidade propõe que o número de doadores voluntários seja de, no mínimo, 2% da população nacional. Para esse ideal ser alcançado, o Brasil precisa de 4,15 milhões de doadores de sangue nas redes privada e pública. A estimativa mais recente do Ministério da Saúde (de 2015) indica que 1,8% da população brasileira seja doadora de sangue (contando as duas redes).

Para alcançar o mínimo sugerido pela OMS, o País precisa que mais 410 mil pessoas passem a doar sangue. Foi pedido os dados de comparecimento e de bolsas de sangue coletadas em 2016 e 2017 para o Ministério da Saúde via Lei de Acesso à Informação. A pasta diz, no entanto, que os números mais recentes são de 2015.

Uma bolsa de sangue pode salvar quatro vidas. O tamanho da bolsa de sangue varia de 400 ml a 450 ml, dependendo do peso do doador. O sangue coletado pode produzir até quatro componentes diferentes: concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas, plasma fresco congelado e crioprecipitado.

O médico hemoterapeuta Leonardo Campos lembra que ainda não há substituto para o sangue. Por isso, a doação é a única forma de garantir transfusão em pacientes que passam por tratamento oncológico, que precisam de transplante de medula óssea, que sofreram acidentes e perderam sangue, entre outros.

O integrante do Hematologistas Associados afirma que cada hemocomponente tem uma função diferente.  Campos lembra que, com o aumento da expectativa de vida, há o diagnóstico mais frequente de doenças crônicas que podem necessitar transfusão de sangue, como o câncer. Segundo ele, as vítimas de projéteis de arma de fogo também podem ter contribuído para a percepção de os hospitais precisarem de mais bolsas de sangue.

 

Restrições

Para Campos, as razões mais comuns para a inaptidão são o uso de determinados medicamentos, a anemia e infecções, como resfriados. Outro motivo para os candidatos serem considerados inaptos para doar sangue é o peso inferior a 50 quilos.

Em 2012 e 2013, a faixa etária do doador de sangue foi ampliada. Antes, o doador precisava ter de 18 a 65 anos. Atualmente, ela varia de 16 a 69 anos, sendo que a primeira doação deve ser feita obrigatoriamente até os 60 anos. O menor de 18 anos precisa, no entanto, apresentar uma autorização de um responsável legal para doar sangue.

 

 

Fonte: O Sul - Foto: Venilton Küchler/Fotos Públicas