São Borja
Segunda-feira 11 de Dezembro de 2017


Professora alerta para "apagão" na formação de profissionais de ensino

Avaliação aponta que desinteresse dos alunos na carreira decorre da desvalorização da profissão na sociedade

O Brasil está vivendo um “apagão” grande e preocupante na formação de professores, e deve encontrar caminhos para estimular a formação desses profissionais. A avaliação é da diretora da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) Amábile Pacios. Segundo ela, a falta de professores para as matérias de exatas é o que mais preocupa.

 O tema foi abordado nesta terça-feira durante audiência pública da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. “Temos que incentivar as instituições a continuar investindo nos cursos de licenciatura, apesar da baixíssima procura, e incentivar as universidades federais a continuar formando professores, e acima de tudo convocar a juventude para a profissão de ser professor. Em todos os aspectos, nenhum país pode ir para a frente se não tiver professor. A educação acontece diariamente, com o professor em sala de aula”, disse Amábile.

Na avaliação da professora, o desinteresse dos alunos na carreira decorre da desvalorização da profissão na sociedade. “Esse desprestígio da profissão por parte da sociedade e das famílias desestimula as pessoas a fazerem cursos de licenciatura”. Uma sugestão apresentada por ela é a de oferecer vantagens para entidades privadas que quiserem exercer o papel de formar professores no país, como a facilitação na avaliação de instituições que oferecerem cursos de licenciaturas. A proposta já foi apresentada ao Ministério da Educação.

 Financiamento

 Durante a audiência, o diretor Executivo do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior de São Paulo (Semesp), Rodrigo Capelato, defendeu mudanças na forma de financiamento do ensino superior. A entidade apoia o modelo australiano, que leva em consideração o desempenho do estudante no mercado de trabalho depois da formação, ou seja, se houver frustração de renda, seja porque o indivíduo teve desempenho ruim no mercado de trabalho, ou porque ficou muito tempo desempregado, o valor de sua dívida é reduzido proporcionalmente.

 Na avaliação de Capelato, o Brasil deve refletir sobre o modelo de financiamento para o ensino superior que deve ser adotado. “A primeira pergunta que termos que responder é: nós queremos uma universidade gratuita ou queremos financiamento para todos? No mundo, existem países que adotam a universidade gratuita, mas ela é para todos, ou ela é paga, mas há financiamento para todos. O Brasil não se posiciona nem de um lado nem de outro. Então, o gratuito muitas vezes é para uma pequena elite”, disse.

 Capelato apresentou um estudo da entidade com novas propostas de diretrizes de políticas públicas para o ensino superior. “Nosso objetivo é estimular e dar início à discussão de uma nova proposta de desenvolvimento de uma política pública para o ensino superior de longo prazo. Que se mudem os governos, mas que a política pública continue visando dez, vinte anos”, disse.

 Fonte: Correio do Povo/Foto: Pedro Revillion / CP Memória